PINGANDO ÓLEO
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Nota do pasteleiro: 5/5

ESSE FENÔMENO CHAMADO LA LA LAND

Que o mundinho do cinema é muito complicado todo cinéfilo sabe, isso porque há certo movimento de cardume entre seus integrantes que, em embates quase sempre sem sentido prático, insistem em discordar uns dos outros sobre a motivação, seriedade ou articidade dos filmes ( o que, na verdade, nada mais é do que um embate de ego da trupe do tênis verde).

Porém, de tempos em tempos um fenômeno diferente acontece, fazendo com que um filme torne-se sucesso não apenas de crítica, mas também de bilheteria, refletindo um senso comum (ou quase comum) sobre sua qualidade, e dessa vez o fenômeno teve um nome peculiar: La La Land.

A galera mais antiga aqui da Pastelaria sabe que meu cinto de segurança cinematográfico é a aversão ao Hype, que consiste em não alimentar as expectativas gerais sobre um filme, e dessa vez eu fui fundo! Não sabia nem a sinopse do musical até sentar-me confortavelmente na poltrona do cinema para assisti-lo, e se há algo melhor do que o preenchimento de sua expectativa é o tapa na cara da surpresa, e que bela surpresa eu tive!

LaLaLandDestaque

De um início bobinho que ganha profundidade a medida que conhecemos os personagens, La La Land canta a dificuldade de se carregar sonhos em um mundo decepcionante e, por vezes, injusto, tornando o enredo universal.

Escrito e dirigido por Demien Chazelle, o mesmo diretor de Whiplash, traz a marca registrada do baterista: o Jazz. Musicalmente impecável no que se propõe, La La Land é carregado de canções autorais que te fazem querer ouvir a trilha sonora novamente logo que se põe o pé para fora do cinema, assim como discutir com os amigos todas as referências presentes na obra, que vão de Gene Kelly a Van Gogh.

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Demien que, para quem não sabe, também é baterista.

Emma Stone e Ryan Gosling trabalham numa sintonia marcante, tanto entre eles mesmo quanto nas minúcias entre os personagens e o roteiro, nos aproximando de suas mazelas, desejos, felicidades e frustações. Tal esforço lhes rendeu a segunda indicação ao oscar, tendo Ryan sido indicado como melhor ator em Half Nelson e Emma como atriz coadjuvante em Birdman.

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Emma Stone garante sua segunda indicação ao Oscar.

Por falar em premiações, após bater recorde no Globo de Ouro, sendo indicado em sete categorias e vencendo todas (melhor filme de comédia ou musical, melhor direção, melhor ator, melhor atriz, melhor roteiro, melhor trilha sonora e melhor canção), La La Land recebeu quatorze, sim QUATORZE indicações ao Oscar (melhor filme, melhor diretor, melhor ator, melhor atriz, melhor roteiro original, melhor edição de som, melhor mixagem de som, melhor direção de arte, melhor fotografia, melhor trilha sonora, melhor figurino, melhor edição e duas indicações a melhor canção, sendo elas “city of stars” e “Audition”), igualando o feito de James Cameron em Titanic e Joseph Mankiewicz em All About Eve, o primeiro com onze prêmios e o segundo com seis.

Ryan Gosling teve que aprender sapateado e piano para compor o personagem.

Por fim, La La Land: Cantando Estações não é apenas um excelente filme, é uma chance de olhar para si mesmo, de repensar decisões e, principalmente, de entender um pouco mais como o mundo funciona, pois apesar de todas as decepções, amanhã é sempre um novo dia de sol.

Pela forte carga abstrata e dramática do filme, ele não se adequa a todos os expectadores, principalmente a galera mais nova, mas fica aqui a entusiasmada indicação de alguém que prometo soltar um pouco o cinto de segurança de Hype quando ler “Demian Chazelle” em um cartaz.

Postado por: Fábio Campos
Frito em 26 de janeiro de 2017
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