PINGANDO ÓLEO
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Nota do pasteleiro: 3/5

Batman vs Superman (2016) – Por Victor Bertão

Adaptação ou não, quando se trata de filme toda crítica só é válida quando fundamentada nos aspectos do cinema que fazem com que um trabalho seja considerado bom ou ruim, afinal, independentemente da base de criação, o cinema exige sua linguagem característica para que a história a qual se propõe a contar seja contada da melhor maneira possível. Assim, o que faz uma adaptação ser ou não boa não é a exatidão de um figurino ou cenários, mas o quanto da mensagem transcrita para a linguagem do cinema conversou com aqueles que admiram um grande filme. Virtude admirável de diretores como David Fincher, Ang Lee, Stephen Daldry, mas, como se nota em Batman vs Superman, não de Zack Snyder,

Se as primeiras preocupações ao início das gravações eram todas concentradas na capacidade de Ben Affleck em dar vida a Batman, os dez primeiros minutos da produção já não deixam qualquer receio. Numa sequencia inicial muito bem filmada e executada, o ator mostra um personagem maturo, carregado e completamente capaz de corresponder ao desempenho exigido pela promessa da narrativa.

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Assim como seu personagem aqui interpretado, Ben Affleck está mais experiente e faz da sua atuação ao longo de toda narrativa o principal elo entre o filme e o público. Destaque também para a atuação de Jesse Eisenberg, no papel de Lex Luthor incendiário, cujas ideologias e modo de agir por vezes chegam até mesmo a remeter à personalidade de um Coringa próprio. Henry Cavill tenta, mas se mantém firme na limitação de seu personagem cuja interpretação não vai muito além da sua capacidade de atuação, contudo o roteiro o sustenta.

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Escrita por Chris Terrio, cujo texto mais notável até então era Argo, a narrativa é muito bem amarrada e concisa naquilo que quer dizer. Sim, há o dilema moral evidente em todo o contexto que aos poucos se desprende, junto à ação e desenvolvimento há também a questão ética e reflexiva que se faz obrigatória em todo bom filme de herói que se preze, e cujos fundamentos poderiam, inclusive, vir a ser aplicados no contexto “real”. Contudo, se todas as variáveis até a primeira hora do filme parecem se encaixar perfeitamente, logo a mão errônea e costumeira de Zack Snyder faz com que as coisas percam seu grau de significância, caiam na mesmisse e o exagero contínuo e eloquente desvirtuem a produção do caminho que a levaria a tudo que de fato poderia ser.

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Uma linha narrativa deve seguir regras, sobretudo no cinema, é preciso conquistar e envolver aos poucos, isso é, se pode gritar, porém na hora certa, ou então, ao invés de empatia e atenção, tudo que se tem é dispersão e distância de onde se quer chegar com um público que anseia por ser conquistador pela narrativa e seus desfechos. E nisso, a mão pesada de Zack Snyder, fadada a eloquência visual e ação incontidas acometem tudo aquilo que Batman vs Superman poderia ser.

E após todo o exagero do desfecho, novas promessas de personagens futuros sendo despejados às pressas e sem qualquer preparo, e uma Mulher Maravilha que em nada agrega, senão com expressões faciais e movimentos de cabelo dignos de comerciais de shampoo, o que fica é a perfeita trilha sonora de Hans Zimmer ao longo de todo o filme, a decepção pelo desfecho ruim de algo que prometia ser tão bom, e a certeza de que um diretor sensato, que trabalha de acordo com o que cada roteiro pede e que abre mão de suas péssimas manias para se fazer uma boa adaptação, faz sempre toda a diferença.

Postado por: Fábio Campos
Frito em 24 de março de 2016
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